Nos últimos tempos venho trabalhando em alguns documentários, uma forma interessante e barata de fazer cinema, principalmente para quem está começando. A busca pelo assunto, pesquisa, determinação, vontade de encontrar mais alguns loucos na busca insana de fazer cinema no Brasil é apenas o começo para dar início a um projeto desses. O bom disso tudo é estar do lado de pessoas que acreditam na imagem e ainda poder contar com amigos/sócios da Café Pingado Filmes.
O primeiro curta documental que trabalhei foi o “Missão na Metrópole” (2009), resultado da conclusão de semestre da Escola Livre de Cinema em parceria com a minha produtora, a Café Pingado Filmes, que vinha de um curta-metragem, “Antes do Último Tango” (2008), também resultado da conclusão de semestre da Escola Livre de Cinema. Com direção do meu sócio Gu Cavalieri, “Missão na Metrópole” conta a história de um taxista que como muitas outras pessoas “comuns” tem o desejo de viver de sua arte, porém não pode. O filme ainda tem interseção de três outros artistas de rua, o palhaço Fábio, a gari Margareti e o gari cantor de rap, Daniel do rap. Nesse projeto como em vários outros fiz um pouco de cada coisa, hora still, hora assistente de produção, hora editor, essa última função talvez tenha sido a que mais deu pano pra manga, mas ao mesmo tempo é a que mais tenho prazer em fazer. O filme deu alguns resultados e parcerias bacanas, já foi exibido no palácio das artes em sua estreia ao lado de outros 3 filmes da Escola Livre de Cinema e no pátio da SLU em uma seção interativa com o diretor.
Ainda no primeiro semestre de 2009 tive o prazer de conhecer uma francesa que de passagem pelo Brasil queria fazer um documentário e levar para sua terra um pouco do nosso país, com cameras simples, ideias e assunto definido fomos para rua. O assunto foi o movimento soul que ainda hoje podemos encontramos na capital, exemplo disso é o “Quarteirão do Soul” em pleno centro de BH. Muitos figurões, cabelos black power e swing foi aplicado nas filmagens do curta documental. Julie ficou uma semana por conta do filme, trouxe para ele sua humanidade, mesmo com dificuldades para falar o português. A francesinha deixou saudade na Café Pingado, sempre muito simpática, sorridente e sonolenta. O filme ainda será finalizado, e finalmente mandado para a França um pouco de cultura Estadunidense no Brasil.
Passou um tempo até que pintou outro doc, três aventureiros com muita vontade, uma camera, várias fitas mini-DVs e um assunto; “Txopai – Festa das Águas” (2009) foi filmado em três dias e leva a assinatura da minha produtora Café Pingado Filmes. O documentário foi realizado em uma tribo Pataxó, na cidade de Camérsia/MG, na ocasião estava acontecendo a “Festa das Águas” na tribo, que acontece para celebrar a fartura e lembrar de onde os Pataxós vieram. O filme ainda está em fase de finalização, realizado no segundo semestre de 2009 e dirigido por Gu Cavalieri. Mais um peleja que vou encarar na edição.
Dia 28 de Dezembro de 2009 saio de Belo Horizonte/MG rumo a Rio Negrinho/SC, mais ou menos 18h de viagem em uma van com mais 15 cabeças. A aventura da vez era ir para um festival de música chamado “Psicodalia”, era minha segunda vez no festival. Muita interatividade, música, acampamento, orégano e muito mais nos aguardavam. Para minha surpresa quem estava no comando da excursão era o Magela, produtor do Camping Rock, festival que rola há 13 anos no solo do pão de queijo, logo aqui do lado na cidade de Itabirito. Algumas doses de “água mineral sem gás” e já éramos velhos amigos. Conversa vai conversa vem, quatro dias de acampamento e mais 18h de volta para BH estava lançada a ideia de fazer um documentário sobre o Camping Rock, que viria acontecer em junho de 2010. Um tempo passou e dois meses antes do festival retomamos a ideia de realizar o doc na fazenda Chaparral, lugar onde acontece o evento há quatro anos. Firmada a parceria Camping Rock, Lado Bom da Música e Café Pingado Filmes, foi dado o start inicial para realização do filme. Mais uma vez com muita determinação, força de vontade e dessa vez com mais 11 loucos na busca insana de fazer cinema no Brasil compunham o time, afinal, se tem uma coisa que aprendi nessa caminhada é que cinema é feito em coletivo, é como o corpo humano, cada integrante da equipe funciona como um órgão vital, então no cinema independente (custo zero) só temos coração, cérebro, pulmão… e assim o corpo é capaz de sobreviver e até fazer coisas interessantes e eficazes. O filme foi filmado no feriado de junho nos dias 2, 3, 4,5 e 6, muita paz, rock, interatividade e cinema. A equipe estava em casa, foram mais de 20 shows, muita roda de viola, fogueira, frio e muitas tomadas, resultado de quase 10h de material para edição. Um Makin of já foi feito e até exibido no Stone, um pub aqui da capitar. O filme fica pronto até meados de agosto. Tive a honra de digirir, produzir e agora começar a editar o filme, que tenho a honra de ter feito, afinal misturar música e cinema não podia ser diferente.
A última empreitada cinematográfica documentária que fiz parte foi o recente “Dito e Feito” (nome provisório), um documentário sobre o músico Celso Moretti, um dos primeiros a formar uma banda de reggae em Minas Gerais, fundador do estilo Reggae Favela Moretti conta com muito vigor sua tragetória, hoje com quase 30 anos de carreira o músico montou um espaço para contar toda sua história. Mais uma vez uma parceria minha com o Gu Cavalieri, diretor do filme. Em breve mais notícias sobre, acredito que até agosto temos um filme novinho em folha!
Então é isso,
Que venha o próximo documentário!
Viva o cinema de Guerrilha.








22 22UTC julho 22UTC 2010 às 8:39 pm |
Cara,
Impressionante!! Muito foda os textos e os documentários! Quero todos ai para acompanhar… Pelo o que me lembro, acho que assisti apenas 2 ( O Curta Antes do Último Tango ) e o Making of do Camping Rock… Gostaria de ver o “Missão na Metrópole” e os outros vou aguardar quando sair!!
Vlws de mais meu velho!
E agora, com a TV Lado Bom, vai vim muitos Curtas, Programa e Bastante CINEMA+MÚSICA.
Um abraço!!
E sorte ai na carreira como Produtor e Cineasta
16 16UTC agosto 16UTC 2010 às 12:45 am |
Querido,
Quantas saudades! Orgulho do trabalho lindo que vcs estão desenvolvendo!
Quero muito ter a oportunidade de ver toda a produção dessa turma maravilhosa.
Beijocas parceiro!
30 30UTC agosto 30UTC 2010 às 6:30 pm |
Daniels,
parabéns pelo artigo cara. Achei bem bacana.
Só acho que temos que acabar com essa onda de cinema de guerrilha. Começarmos a nos unir em cooperação/cooperativas. Tentar chegar próximo ao perfil industrial para um cinema que promete crescer aqui em Minas Gerais.
Abraços,
Erick Leite
31 31UTC agosto 31UTC 2010 às 12:43 am |
Opa,
Valeu ai galera,
Concordo demais Erick, vamos desorganizar para poder organizar depois, mas esses são filhos de guerrilhas dos quais não posso negar paternidade.